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Quantas vezes nós, cuidadores, dissemos para nós mesmos: caramba! Outra decisão difícil para tomar!! Quantas mais virão pela frente?

Sempre que cuidamos de nosso familiar idoso, com dificuldades de locomoção ou cognitivamente comprometido ou ainda totalmente dependente, aparece uma decisão difícil a ser tomada – não existe a mais custosa, todas exigem um grande esforço.

Foi exatamente o que aconteceu comigo. O Alzheimer apareceu sem pedir licença e sem dar tempo para que eu me preparasse e aprendesse sobre o que era cuidar de meu pai. Uma situação que não estava preparada para assumir, totalmente inversa, em que agora meu pai é que dependia de mim. No inicio até que não era tão pesado. As informações recebidas em grupos de apoio, profissionais orientando sobre a melhor alimentação, como cuidar da higiene e principalmente cuidar muito bem da saúde, tudo parecia estar bem. Mas começaram as situações que exigiam decisões que nunca havia tomado, mas que seriam necessárias para a segurança e bem estar de meu pai.

Surgiram situações  como permitir que ele continuasse trabalhando ou continuasse dirigindo o carro ou saísse sozinho. Enfrentar esses momentos de inversão de papéis não é fácil de viver.

Era preciso pensar que enfrentar estas situações estaria colaborando para preservar a história que meu pai havia construído para ele e para a família e lhe oferecer melhor qualidade de vida dentro do que se apresentava naquele momento.

Infelizmente a doença insistiu em progredir e os problemas apareceram numa escalada gigantesca: medicamentos, fraldas, alimentação controlada e especial. Por mais cuidado que se tenha as hospitalizações institucionalizações tornam-se periódicas decorrentes de desidratações presentes de tempos em tempos. Foram seis episódios de infecções pneumônicas num período de 8 anos.

Interdição ou Curatela: quando começar a pensar?

É necessário pensar mais criteriosamente na saúde financeira e emocional da família. Meus pais construíram uma linda história de vida, com percalços vencidos com muita coragem, respeito e união. O processo de interdição de meu pai foi muito pesado.

No meu caso não entramos com pedido de curatela. Eu recebi uma procuração de plenos poderes. Tivemos que vender um imóvel e um dos advogados percebeu que meu pai já não mantinha a mesma assinatura e conversando com minha mãe, orientou que fosse elaborada uma procuração de plenos poderes. Minha mãe aceitou de imediato e assim mais uma grande preocupação foi anexada a minha lista, afinal tenho mais dois irmãos que não foram ouvidos naquele momento e como de repente me tornei responsável pelos bens moveis e imóveis que meus pais.

O passar dos tempos mostrou que essa decisão foi a mais acertada. Praticamente uma semana depois que meu pai assinou a procuração, ele não foi mais capaz de pegar a caneta.

Apesar de pensar na curatela ou interdição (colocar o link do Guia Jurídico) de uma pessoa, como se ela já estivesse sem vida, na realidade é a alternativa oferecida legalmente de propiciar mais qualidade, segurança e alternativas. No processo de curatela é o juiz que decide quem será o curador e periodicamente é necessário apresentar relatório bem detalhado de como os recursos financeiros da pessoa interditada está sendo utilizado pelo curador.

A procuração de plenos poderes, apesar de não existir obrigatoriedade, também exige que relatórios sejam apresentados à família relatando o que está sendo feito com o patrimônio. Foi esta a postura adotada em minha família. Cada movimentação no patrimônio, tinha o respaldo direto de minha mãe e meus irmãos acompanhavam cada uma das ações tomadas. Foi graças a esta procuração de plenos poderes que possibilitou as diversas institucionalizações necessárias para o tratamento das desidratações e infecções pneumônicas.

Durante os 25 anos que estive a frente da ABRAz Associação Brasileira de Alzheimer, esse recurso sempre foi recomendado para as famílias. Saber e buscar a curatela da pessoa afetada é a melhor forma de preservar integridade e também os recursos financeiros que poderiam ser utilizados para o tratamento da doença. A curatela (colocar o link do Guia Jurídico)  preserva o interdito de ser envolvido em assinaturas de empréstimos ou compras de bens desnecessários e outras tantas situações que certamente comprometeriam sua integridade caso não houvesse a interdição.

Decisões difíceis sempre existirão. A dificuldade será amainada se entendermos o porquê e como trabalharemos esta situação. Hoje meu pai já não está mais comigo mas tenho absoluta certeza de que tudo que fiz, todas as decisões tomadas foram acertadas e pude oferecer de fato, em seus mais de doze anos com Alzheimer, uma vida que mereceu ser compartilhada e da qual me orgulho imensamente em ter feito parte.  

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