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Alzheimer e memória afetiva: construindo pontes

A doença de Alzheimer chega apagando vários tipos de memórias, mas não consegue eliminar a memória afetiva.

Sabe aquela pessoa que trabalhou a vida toda no serviço público federal, lia muitos livros e enciclopédias, não repetia palavras, mas sempre usava sinônimos? Pois é, um dia essa senhora, minha mãe Dalva, começou a repetir frases e ter dificuldade em achar as palavras para se expressar. E, quando avisada dessa repetição ficava muito brava por um lado, e por outro, desapontada com essa situação que veio para ficar, devido a sua doença de Alzheimer.

Esses esquecimentos e falhas de memória foram aumentando e como temos uma família grande, as confusões começaram a ser criadas, pois nunca haviam falado para ela.

Junto a isso, nos passeios minha mãe dizia: “Que lugar diferente! Nunca me trouxeram aqui.” Apesar de ser em uma loja que costumava comprar presentes ou no supermercado do lado de casa. Começou a ter dificuldade em se localizar no espaço e tempo, exigindo sempre a companhia de  familiares ou amigos quando saia de casa. Estava instalada o início das dificuldades que teríamos pela frente.

Minha mãe sempre foi uma pessoa muito querida e conhecida pelos moradores da cidade em que mora, e nos seus passeios encontrava com amigos que paravam para conversar com ela. A estratégia usada por ela nesse momento era perguntar – “Como estão seus familiares?” E ficava muito feliz em saber que estavam bem, mesmo não lembrando deles, fazendo com que muitos não percebessem a dificuldade dela. Começamos então, a constatar que algumas memórias estavam sendo perdidas mas a memória afetiva pouco tinha se alterado.

Imaginem tudo isso acometendo a mãe de uma família de muitos filhos, agregados e amigos que se reúnem com grande frequência.

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Pois é, acompanhar conversas entre esse grupo enorme de pessoas e com muito barulho, para uma senhora com Alzheimer, sinalizava o início de um problema. Um outro fator que a deixava muito angustiada era o medo de ficar só quando todos fossem embora.

Sabe como nossa família enfrentou esses problemas que cada vez mais impedia sua interação? Continuamos as reuniões e festas onde a nossa mãe sempre foi e será o tema principal. Ela passa quase o dia todo entre uma cadeira na sala e idas ao banheiro, e todos que chegam dirigem-se a ela para cumprimentar e conversar sobre as coisas que sempre gostou. Mesmo sendo uma conversa de poucas palavras vindo dela, é cheia de expressões faciais. Por outro lado, quando ela não está de acordo ou não reconhece a pessoa, vem logo um não ou chega a fechar os olhos expressando contrariedade.

Enfim, esses 19 anos de doença de Alzheimer minha mãe tem nos ensinado que o amor, respeito, compreensão, atenção e carinho são imprescindíveis para a qualidade de vida dela e de toda família.  Além disso, nos ensinou que algumas formas de memória estão perdidas, mas que a memória afetiva permanece, e é demonstrada pela aproximação da cabeça em nossa direção, expressões de um sorriso lindo de felicidade, algumas palavras perdidas mas cheia de entonações, horas de felicidade e horas de braveza. Estimular a memória afetiva tem sido uma forma muito efetiva de acalmar e tornar a minha mãe mais presente nas nossas vidas, apesar de suas dificuldades.

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